Alfabetização ecológica
Todos somos membros plenos e cidadãos da mesma comunidade biótica.
Aldo Leopold
Resenha da obra de: Capra F et al. Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Cultrix; 2006.
Ao longo dos séculos XX (segunda metade) e XXI, a ecologia – compreendida como o estudo das relações entre o ambiente natural e os seres vivos, considerando os aspectos físicos, químicos e biológicos nesse processo de entendimento e de interrrelações1 – tem alcançado importante espaço nas discussões acadêmicas atinentes a diferentes áreas do conhecimento, como economia, política, educação e saúde. De fato, à medida que tem crescido a preocupação em relação à atuação antrópica sobre o meio ambiente, têm sido debatidas alternativas para minimizar o risco de desequilíbrio ambiental e de ocorrência de catástrofes naturais, âmbito com particular interesse para os profissionais da área de saúde, ao se reconhecer a profunda interconexão entre saúde e ambiente.
Com efeito, ato contínuo à tomada de consciência de que a educação é um dos pilares para a construção de uma nova relação da sociedade com o meio ambiente, merecem destaque as discussões desenvolvidas no livro Alfabetização ecológica2, assinado por Fritjof Capra, sob a organização de Michael K. Stone e Zenobia Barlow. Trata-se da primeira obra oficial, publicada em língua portuguesa, pelo Centro de Eco-Alfabetização, localizado em Berkeley, Califórnia, Estados Unidos, instituição na qual têm sido desenvolvidos vários projetos de vanguarda, voltados para a formação de sujeitos ecologicamente alfabetizados, cujo cerne depende do reconhecimento de que:
O desequilíbrio dos ecossistemas reflete um desequilíbrio anterior da mente, tornando-o uma questão fundamental nas instituições voltadas para o aperfeiçoamento da mente. Em outras palavras, a crise ecológica é, em todos os sentidos, uma crise de educação.
O problema [...] é de educação; não está meramente na educação.
Toda educação é educação ambiental [...] com a qual por inclusão ou exclusão ensinamos aos jovens que somos parte integral ou separada do mundo natural.
A meta não é o mero domínio de matérias específicas, mas estabelecer ligações entre a cabeça, a mão, o coração e a capacidade de reconhecer diferentes sistemas — [...] o "padrão que interliga".(Capra2 2006:11; grifo do original)
O livro, organizado em quatro partes interdependentes – Visão, Tradição/Lugar, Relação e Ação, inspiradas na sabedoria do povo okanagan, indígenas residentes no Canadá –, traz, ao longo de seus 25 capítulos, uma profunda discussão pedagógica voltada para a sustentabilidade das relações entre sociedade e ambiente.
A Parte I, Visão, apresenta olhares para a construção, a longo prazo, da sustentabilidade. É composta por sete capítulos: Em'owkin: a tomada de decisões que leva em conta a sustentabilidade; Falando a linguagem da natureza: princípios da sustentabilidade; A solução pelo padrão; O poder das palavras; Valores; Os valores da fast food e os valores da slow food; A idéia da slow school: é hora de desacelerar a educação.
Na Parte II, Tradição/Lugar, a discussão é prioritariamente centrada nas relações entre os conceitos de progresso e desenvolvimento, tendo em conta a preservação dos modos de vida tradicionais – incluindo-se os partícipes humanos e não-humanos dos sistemas. É composta também por sete capítulos: Pedagogia indígena: um olhar sobre as técnicas tradicionais de educação dos índios californianos; Educação okanagan para uma vida sustentável: tão natural quanto aprender a andar ou falar; Lugar e pedagogia; reminiscências; Aprendendo a conhecer uma bacia fluvial; Ajudando as crianças a se apaixonar pelo planeta Terra: educação ambiental e artística; Como mapear a sua própria biorregião.
Na Parte III, Relação, discute-se a interrelação entre os diferentes compartes de uma comunidade, especialmente nos aspectos relativos à saúde, colocando em pauta os impactos das decisões tomadas sobre os sistemas em questão. É composta por cinco capítulos: Revolução passo a passo: como criar o ambiente propício para a mudança; Liderança e a comunidade de aprendizes; "Ele mudou tudo o que pensávamos que éramos capazes de fazer: O projeto Straw"; Criar filhos íntegros é como cultivar alimentos saudáveis: além da agricultura industrial e da educação massificada; meditações sobre uma maçã.
Na Parte IV, Ação, pondera-se sobre a importância da consideração dos diferentes envolvidos nas decisões, visando ao alcance de soluções sistêmicas globais para o desenvolvimento de melhores relações, em prol de sociedades sustentáveis. É composta por seis capítulos: Dançando com sistemas; O segredo da lupa: olhar de perto, mudar a escala; Tirando partido do ativismo juvenil urbano: alfabetização para a justiça social; Sustentabilidade – um novo prato no cardápio do almoço; Repensando o almoço escolar; O processo de mudança na escola: uma visão sistêmica.
Uma das grandes virtudes da obra, além da relevância do tema e da consistência conceitual dos ensaios – os quais albergam um grande número de assuntos interligados, incluindo agricultura, antropologia, arte, axiologia, direito, ecologia, ética, filosofia, nutrição, política, saúde (todo o tempo os ensaios resvalam, tocam e perpassam as discussões sobre saúde), teoria dos sistemas e, sobretudo, pedagogia –, é discutir a educação no âmago de uma compreensão sistêmica da vida, compondo, de modo bastante satisfatório, teoria e práxis, como pressupostos para o reconhecimento da interconexão entre os díspares sistemas envolvidos nos processos de sustentabilidade, tão necessários à existência saudável.
É neste sentido que a obra, ainda que dirigida originariamente à educação de crianças, torna-se extremamente útil aos diferentes docentes, destacando-se os educadores da área de saúde, focando-se, em especial, no presente contexto, o ensino médico. De fato, a contemporânea deterioração das relações homem-natureza e seu respectivo impacto sobre a saúde – humana e ambiental – vêm tornando premente a discussão de tópicos de ecologia nos cursos de graduação em Medicina, questão das mais relevantes nas considerações atuais sobre a formação médica3. O desafio, enfrentado corajosamente por Capra e seus colaboradores, é não transformar a ecologia em mais uma disciplina a ser "ministrada" aos estudantes nos frios bancos das escolas, mas, sim, tornar os diferentes saberes necessários à formação do médico, plenamente inscritos nos contemporâneos debates ecológicos. Os exemplos pululam, podendo-se comentar desde o impacto na transmissão de doenças de veiculação hídrica – em decorrência do aumento da temperatura planetária, devido ao progressivo acúmulo, na atmosfera, de gases do efeito estufa (Figura 1) – até o incremento das neoplasias de pele, como consequência da "agressão" à camada de ozônio.
......................
.... No caso da tradição médica ocidental, tal problemática remonta a um momento tão arcaico quanto a constituição da Escola de Hipócrates de Cós, autor que, no célebre tratado Das Águas, Ares e Lugares4, assinala que:
Quem quiser aprender bem a arte de médico deve proceder assim: em primeiro lugar deve ter presentes as estações do ano e os seus efeitos, pois nem todas são iguais mas diferem radicalmente quanto à sua essência específica e quanto às suas mudanças. Deve ainda observar os ventos quentes e frios, começando pelos que são comuns a todos os homens e continuando pelos característicos de cada região. Deve-se ter presentes também os efeitos dos diversos gêneros de águas. [...] Quando um médico chegar a uma cidade desconhecida para ele, deve determinar, antes de mais nada, a posição que ela ocupa em relação às várias correntes de ar e ao curso do Sol... assim como anotar o que se refere às águas... e à qualidade do solo... Se conhecer o que diz respeito à mudança das estações e do clima, e o nascimento e o ocaso dos astros... conhecerá antecipadamente a qualidade do ano... Pode ser que alguém julgue isto demasiadamente orientado para a ciência, mas quem pensar assim pode convencer-se, se alguma coisa for capaz de aprender, que a Astronomia pode contribuir essencialmente para a Medicina, pois a mudança nas doenças do homem está relacionada com a mudança do clima.
O excerto hipocrático explicita que a preocupação "ecológica" ou ambiental é aspecto de destacada relevância para o exercício e para o ensino da medicina. Neste sentido, reconhecendo-se, com Capra, que A educação para uma vida sustentável – o tema deste livro – é uma pedagogia que facilita esse entendimento por ensinar os princípios básicos de ecologia e, com eles, um profundo respeito pela natureza viva, por meio de uma abordagem multidisciplinar baseada na experiência e na participação2, torna-se possível ler Alfabetização ecológica como um texto que permite a rediscussão da deferência pela natureza, elo olvidado na medicina contemporânea e inscrito no melhor espírito grego:5 a saúde da Terra é, no fundo, a saúde do homem.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022009000500014
Rodrigo Siqueira-BatistaI; Giselle RôçasII
ICentro Universitário Serra Órgãos, Rio de Janeiro, Brasil; Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis, Rio de Janeiro, Brasil
IICentro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis, Rio de Janeiro, Brasil
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
ReciclArte
sábado, 5 de dezembro de 2009
segredos do Mar!
Pela Coleta Seletiva nas praias do Brasil!! nas prais do mundo! Pela coleta seletiva no planeta!
Começe por voce, usando sacolas de pano, reduzindo o uso das sacolas de plástico, seprando seu lixo na praia, enterrando o orgênico se puder...
Segredos do Mar
Quando chega o verão, as pessoas se sentem atraídas pelo mar.
Multidões se dirigem as praias em busca de um contato com as orlas marinhas, prazer e descanso.
Porém o passo humano deixa sua marca fatal nas praias de areia. Milhões de sacolas de nylon e plásticos de todo o tipo são abandonadas nas costas e o vento ou as marés se encarregam de arrastar ao mar.
Uma bolsa de nylon pode navegar varias centenasde anos sem desintegra-se.
As tartarugas marinhas as confundem com medusas e as comem, pensando que é alimento e acabam afogando-se quando as engolem. Milhares de golfinhos caem também na confusão e morrem afogados. Eles não podem reconhecer os desperdícios humanos, simplesmente se confundem, depois de tudo, "o que flutua no mar se come". A tampa plástica de uma garrafa, mais dura que uma sacola, pode permanecer inalterada navegando pelos mares por mais de um século.
O Dr. James Ludwing que se encontrava estudando o albatroz na ilha de Midway, no Pacífico, muito longe dos centros povoados, fez uma importante descoberta. Quando começou a examinar o conteúdo do bucho de oito filhotes de albatroz mortos, encontrou: 42 tampas plásticas de garrafas, 18 isqueiros, restos flutuantes que em sua maioria eram pequenos pedacinhos de plásticos. Estes filhotes foram alimentados por seus pais que não puderam reconhecer os desperdícios do momentos e escolher seu alimento.
O próximo verão, quando visitares sua praia preferida, talvez encontres na areia sujeira que outra pessoa jogou. Não é tua sujeira, mas é TUA PRAIA, é TEU MAR, é TEU MUNDO e deves fazer algo por ele. Muitos pais jogam com seus filhos o jogo do "..vamos ver quem consegue juntar a maior quantidade de plásticos?" no mínimo uma inesquecível lição de ecologia. Outros em silêncio, recolhem um plástico abandonado e levam para suas casas longe do mar. Os verá passar sorrindo, sabendo que estão salvando um golfinho. "Não se pode defender o que não se ama e não se pode amar o que não se conhece. Ajude na luta. Obrigado
Mario Herrera Araya
Assessor Científico
Directemar Armada de Chile
Começe por voce, usando sacolas de pano, reduzindo o uso das sacolas de plástico, seprando seu lixo na praia, enterrando o orgênico se puder...
Segredos do Mar
Quando chega o verão, as pessoas se sentem atraídas pelo mar.
Multidões se dirigem as praias em busca de um contato com as orlas marinhas, prazer e descanso.
Porém o passo humano deixa sua marca fatal nas praias de areia. Milhões de sacolas de nylon e plásticos de todo o tipo são abandonadas nas costas e o vento ou as marés se encarregam de arrastar ao mar.
Uma bolsa de nylon pode navegar varias centenasde anos sem desintegra-se.
As tartarugas marinhas as confundem com medusas e as comem, pensando que é alimento e acabam afogando-se quando as engolem. Milhares de golfinhos caem também na confusão e morrem afogados. Eles não podem reconhecer os desperdícios humanos, simplesmente se confundem, depois de tudo, "o que flutua no mar se come". A tampa plástica de uma garrafa, mais dura que uma sacola, pode permanecer inalterada navegando pelos mares por mais de um século.
O Dr. James Ludwing que se encontrava estudando o albatroz na ilha de Midway, no Pacífico, muito longe dos centros povoados, fez uma importante descoberta. Quando começou a examinar o conteúdo do bucho de oito filhotes de albatroz mortos, encontrou: 42 tampas plásticas de garrafas, 18 isqueiros, restos flutuantes que em sua maioria eram pequenos pedacinhos de plásticos. Estes filhotes foram alimentados por seus pais que não puderam reconhecer os desperdícios do momentos e escolher seu alimento.
O próximo verão, quando visitares sua praia preferida, talvez encontres na areia sujeira que outra pessoa jogou. Não é tua sujeira, mas é TUA PRAIA, é TEU MAR, é TEU MUNDO e deves fazer algo por ele. Muitos pais jogam com seus filhos o jogo do "..vamos ver quem consegue juntar a maior quantidade de plásticos?" no mínimo uma inesquecível lição de ecologia. Outros em silêncio, recolhem um plástico abandonado e levam para suas casas longe do mar. Os verá passar sorrindo, sabendo que estão salvando um golfinho. "Não se pode defender o que não se ama e não se pode amar o que não se conhece. Ajude na luta. Obrigado
Mario Herrera Araya
Assessor Científico
Directemar Armada de Chile
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Nossa Horta, será uma Fênix!
Pessoal aconteceu algo muito triste hoje...
A Horta da Oficina da professora Nedi foi destruida por caminhões do DMLU...
Tristeza, pois muito trabalho da professora e dos seus alunos, semeando as verduras e legumes, hoje seriam transplantados...
Precisamos que TODOS peguem junto, para recontruir a horta da WF, e que todos saibam que ali tem uma horta e que CUIDEM... a horta representa vida, alimento, nutrição, cuidado e construção do novo...
Chamo todas e todos para transformar esta Horta numa Fenix, que ressurge das cinzas.. depende de cada aluno e de cada professor
A Horta da Oficina da professora Nedi foi destruida por caminhões do DMLU...
Tristeza, pois muito trabalho da professora e dos seus alunos, semeando as verduras e legumes, hoje seriam transplantados...
Precisamos que TODOS peguem junto, para recontruir a horta da WF, e que todos saibam que ali tem uma horta e que CUIDEM... a horta representa vida, alimento, nutrição, cuidado e construção do novo...
Chamo todas e todos para transformar esta Horta numa Fenix, que ressurge das cinzas.. depende de cada aluno e de cada professor
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Assitam o DVD - O Buraco Branco no Tempo
O Filme de Peter Russel, “O Buraco Branco no Tempo” baseado no livro de mesmo nome, traz uma reflexão sobre a Vida humana, de como é recente se comparada com a existência da vida e do cosmos e de como esta existência vem transformando de uma forma incomparável a história da vida na Terra.
Mostra a linguagem como ferramenta primordial, que nos diferencia dos outros animais e em especial chama atenção sobre as conseqüências da nossa capacidade de modificar o mundo.
A primeira delas é o crescimento populacional; os seres humanos hoje ocupam todo o globo. A segunda é a poluição; quanto mais humanos existem, mais recursos naturais nós consumimos, e mais ainda poluímos o ambiente em que vivemos. Criamos novas tecnologias para melhorar as nossas vidas, mas é justamente isto que exige a exploração do ambiente, o que em última instância, é um risco enorme para a nossa sobrevivência – um paradoxo:
Quanto mais a humanidade busca do bem-estar, maiores são os riscos que corremos, e maior é o impacto no mundo ao nosso redor. E o que existiria de mais impressionante em tudo isso, seria que mesmo percebendo isso, não pensamos em parar.
E é aqui que o filme revela sua verdadeira intenção: refletir sobre uma suposta “crise” que existe em nossa “consciência”. A partir desse momento o filme passa a questionar os paradigmas de nossa sociedade atual, o consumismo, a necessidade de armamentos, a causa das guerras, e até mesmo questiona a visão religiosa que separa as pessoas.
É um questionamento sobre o nosso hábito de julgar os outros, a forma com que nos relacionamos; e essa seria a causa principal de todos os problemas de nossa sociedade.
http://vivoeduca.ning.com/video/peter-russel-um-buraco-branco-2
Mostra a linguagem como ferramenta primordial, que nos diferencia dos outros animais e em especial chama atenção sobre as conseqüências da nossa capacidade de modificar o mundo.
A primeira delas é o crescimento populacional; os seres humanos hoje ocupam todo o globo. A segunda é a poluição; quanto mais humanos existem, mais recursos naturais nós consumimos, e mais ainda poluímos o ambiente em que vivemos. Criamos novas tecnologias para melhorar as nossas vidas, mas é justamente isto que exige a exploração do ambiente, o que em última instância, é um risco enorme para a nossa sobrevivência – um paradoxo:
Quanto mais a humanidade busca do bem-estar, maiores são os riscos que corremos, e maior é o impacto no mundo ao nosso redor. E o que existiria de mais impressionante em tudo isso, seria que mesmo percebendo isso, não pensamos em parar.
E é aqui que o filme revela sua verdadeira intenção: refletir sobre uma suposta “crise” que existe em nossa “consciência”. A partir desse momento o filme passa a questionar os paradigmas de nossa sociedade atual, o consumismo, a necessidade de armamentos, a causa das guerras, e até mesmo questiona a visão religiosa que separa as pessoas.
É um questionamento sobre o nosso hábito de julgar os outros, a forma com que nos relacionamos; e essa seria a causa principal de todos os problemas de nossa sociedade.
http://vivoeduca.ning.com/video/peter-russel-um-buraco-branco-2
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